Jejum intermitente: tudo o que você precisa saber

Anote aí: jejum intermitente é uma técnica de emagrecimento que consiste em intercalar períodos de jejum com períodos de alimentação.

E se você é ligado ou ligada no mundo fitness e for do tipo que segue páginas ou acessa sites especializados em saúde e beleza, você muito provavelmente já ouviu falar no jejum intermitente.

E muito embora o jejum intermitente não seja igual às dietas tradicionais, fato é que ele tem se popularizado cada vez mais entre quem deseja perder peso. A técnica que faz emagrecer, na realidade, é permanecer muitas horas sem comer para que o corpo utilize os estoques de gordura e os transforme em energia — provocando, assim, uma perda de massa gorda.

Parece simples, não é? E é mesmo, mas existem alguns cuidados que você deve tomar e algumas coisas que você deve saber antes se quiser começar o jejum intermitente. Conversamos com especialistas e pessoas que já aderiram à prática e reunimos informações muito úteis para tirar todas as dúvidas. Continue lendo para saber mais.

 

Jejum intermitente faz emagrecer mesmo?

 

Vamos logo ao que interessa certo? Afinal, jejum intermitente faz emagrecer mesmo ou não?

A resposta é sim, mas nem sempre.

Muita gente começa a fazer o jejum intermitente porque ele reduz o consumo diário de calorias, altera nossos níveis hormonais, acelera o metabolismo e faz o corpo produzir mais quantidade de noradrenalina — o hormônio que ajuda na queima de gordura. Ou seja: faz perder peso.

Diversos estudos, aliás, mostram que além de promover o emagrecimento, o hábito de jejuar por algumas horas pode ainda trazer uma série de benefícios para a saúde, que incluem a prevenção ao câncer, diabetes e doenças cardiovasculares, melhora nas funções cognitivas e até o retardamento do envelhecimento. Mas ainda é muito cedo para chegar a uma conclusão.

Há, porém, quem faça o alerta: não é porque jejum intermitente faz emagrecer que ele é indicado para todo mundo. Aliás, alguns especialistas inclusive defendem que a dieta faz perder peso justamente porque promove a perda de massa magra também — afinal, músculos pesam mais do que gordura.

Por isso, fica a dica: o ponteiro da balança não quer dizer muita coisa quando o assunto é emagrecimento saudável. O ideal — SEMPRE — é consultar um nutrólogo ou um nutricionista para saber qual dieta é a mais indicada para você.

 

Quem não pode fazer?

 

Não é à toa que, como em todas as dietas, existem diversas contraindicações para o jejum intermitente também. Veja a lista dos grupos de pessoas que não devem fazê-lo:

Quem está abaixo do peso

Por razões óbvias, quem está abaixo do peso não precisa fazer dieta, quanto mais ficar horas e horas sem comer. Mas nem todo mundo consegue saber pelo reflexo do espelho se está abaixo do peso ideal ou não, então um bom jeito de fazer isso é pelo cálculo do IMC.

A fórmula é a seguinte: Peso ÷ altura x altura.

Gestantes e lactantes

Mulheres grávidas ou que estão amamentando não devem fazer a dieta porque precisam de uma quantidade maior de nutrientes. Jejum intermitente durante a gestação pode levar a desmaios, hipoglicemia, anemia e até ao baixo peso do bebê, que depende da alimentação da mãe para receber os nutrientes necessários para seu desenvolvimento dentro do útero.

Da mesma forma, durante o período de amamentação, as mães também precisam dos nutrientes para enriquecer o leite materno — fundamental para o crescimento saudável dos filhos.

Quem tem doenças crônicas

Alguns medicamentos usados para tratar doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, causam mudanças no metabolismo e eventualmente levam a um quadro de hipoglicemia. Por isso, quem sofre de alguma dessas doenças e quer perder peso deve conversar com um endocrinologista antes de começar a fazer qualquer tipo de dieta. Junto com um nutricionista, ele poderá ajudar a encontrar o método de emagrecimento mais adequado.

Crianças e adolescentes

Por ainda estarem em fase de desenvolvimento, crianças e adolescentes precisam ingerir os nutrientes certos para crescerem de forma adequada. Por isso, se estiverem acima do peso e quiserem perder alguns quilinhos, eles também precisam fazer dietas específicas, com o acompanhamento de um profissional.

Na adolescência, o jejum intermitente pode ter consequências ainda mais graves principalmente por causa de todas as questões emocionais e problemas de aceitação que cercam as pessoas nesta faixa etária. Em função da imposição de um padrão de beleza que cultua o corpo magro e a barriga chapada, o jejum pode levar os adolescentes a desenvolverem transtornos alimentares, como bulimia e anorexia.

Idosos

Dependendo da idade, começar o jejum intermitente pode ser perigoso, pois, com o passar dos anos, nosso sistema imunológico vai ficando cada vez mais suscetível a alguns problemas de saúde. Em razão disso, é fundamental manter uma alimentação saudável e bem regulada — principalmente na terceira idade. Assim, jejuar por muitas horas pode ser não ser o caminho mais adequado e pode, ainda, levar a consequências graves de saúde.

O que a ciência diz?

A comunidade científica se divide quando o assunto é jejum intermitente. Enquanto chovem comentários em redes sociais de pessoas que afirmam ter perdido muito peso graças à dieta, novos estudos sugerem que eventuais problemas de saúde decorrentes dos longos períodos de jejum não compensam os resultados positivos na balança.

Há quem ainda questione a eficácia do método. É o caso de uma equipe de pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, que prepararam um estudo e dividiram os voluntários em três grupos: um de alimentação normal, sem dieta; outro que seguiria uma dieta tradicional, com restrição de calorias; e um terceiro, que realizaria o jejum intermitente.

Após seis meses de acompanhamento, constatou-se que tanto quem seguiu a dieta com restrição de calorias (um exemplo dela seria a dieta dos pontos) quanto quem fez o jejum intermitente perdeu praticamente a mesma quantidade de peso, ficando de 5,3% a 6% mais magros do que os que não fizeram dieta alguma.

Para a nutricionista Andressa Fortes Miranda, o jejum intermitente não funciona para todo mundo e pode ser um risco para quem pratica atividades físicas. “Na ausência de glicose sanguínea — obtida pela ingestão de alimentos –, o organismo retira glicogênio dos músculos para alimentar o cérebro, o que resulta na perda de massa magra, e não necessariamente de massa gorda”, alerta.

Já os defensores do jejum, ainda que na ausência de estudos conclusivos, argumentam que longos períodos de jejum podem trazer vantagens para nossa saúde. É a tese, inclusive, do “criador” do jejum intermitente, o jornalista britânico Michael Mosley. Em 2012, ele lançou o documentário Eat, Fast & Live Longer (“Coma, jejue e viva por mais tempo”, em tradução livre) e se submeteu pela primeira vez à dieta que restringe drasticamente a alimentação.

Portanto o melhor a se fazer e conhecer seu corpo, ter um acompanhamento de um profissional da saúde neste caso nutrólogo ou nutricionista para consolidar os melhores resultados e segurança para sua saúde.